Posso pôr um dinossauro dentro do cesto?

Posso pôr um dinossauro dentro do cesto?

Quem nunca se queixou que “os miúdos não se interessam por nada”?

– Professora, posso pôr um dinossauro dentro do cesto?

– Não.

Numa aula de Artes do 1º Ciclo, a professora propôs pintarem cestos a partir do quadro “Lavadeiras”, de Damião Martins.

Um aluno do 1º ano teve a brilhante ideia de desenhar um dinossauro dentro do cesto! Que bela ideia! Só que a professora não deixou!

Mas qual seria o problema de deixar o miúdo pôr um dinossauro dentro do cesto?

Não haveria grande problema, de facto. O problema não está em deixar pôr o dinossauro dentro do cesto. O verdadeiro desafio consiste em saber se o que propomos às crianças como caminho educativo tem capacidade de os atrair e de os “conectar” ao mundo, ao ponto de desejar ter cada vez mais e melhores instrumentos para o conhecer.

As crianças manifestam sempre maiores dificuldades em aceitar o tempo que as coisas demoram, em estar atentos e concentrados, em manter desperta aquela curiosidade que lhes é inata quando ainda são pequenos. Se é inata quando são pequenos e se a vão perdendo, alguma responsabilidade teremos nós, adultos que os educamos.

Como enfrentar este desafio?

Os nossos “pequenos independentistas” precisam de nós, precisam de precisar de nós, precisam que lhes ofereçamos momentos em que a sua curiosidade se torne um ponto de partida para a descoberta do mundo. Não podemos, no entanto, confundir a curiosidade com “os dinossauros dentro do cesto”. A curiosidade, as ideias e a imaginação são as faíscas que precisam de ser acompanhadas e educadas, para que possam tornar-se uma ferramenta consistente no seu percurso de aprendizagem.

E… os dinossauros?

Quanto aos dinossauros, não estão dentro dos cestos do Damião Martins. Onde estão então? Que animais eram? Será que existiram mesmo?

O problema não é pôr o dinossauro dentro do cesto, como se vê. Estejamos nós atentos às perguntas dos nossos alunos e ajudemo-los a torná-las mais verdadeiras, procurando com eles as respostas que realmente desejam.

Catarina Almeida