Tinha esperança que estivesse

Tinha esperança que estivesse

O Salvador, aluno discreto e atento do 5º ano, vem ter comigo em quase todos os intervalos. Conversa comigo, conta-me histórias do seu fim de semana, pergunta-me sobre as minhas aventuras. Oferece ajuda na alimentação dos animais, varre o laboratório, traz plantas e insectos para discutir comigo. Numa quarta feira, quando eu não costumo estar no laboratório, o que ele bem sabe, ouvi bater à porta suavemente e percebi logo que era ele. Abri a porta de rompante, em brincadeira, e vejo-o dar um grito e um salto atrás, com o susto. “Então, Salvador?!”. “Professor, assustou-me! Pensei que não estava cá!”. Ri-me. “Então para que vieste bater à porta, se pensavas que eu não estava?”. “Então, professor, tinha esperança que estivesse…”

Miguel Tristany