Para quê ou para quem?

Para quê ou para quem?

No outro dia contaram-me este episódio que, pela companhia que me tem feito, acho especialmente bonito.

Um grupo de crianças do Pré-escolar estava a observar flores, a desenhá-las e pintá-las. A grande maioria estava feliz e empenhada; é uma aventura reparar nos detalhes, nas cores, nas formas; os materiais são apelativos e dar asas à imaginação é sempre desafiante.

Só o David teimava em não fazer. Burro amarrado, braços cruzados, nada o demovia. Mas olha que giro isto e aquilo, já viste blá blá blá… De repente, a professora disse:

– E se fizesses uma flor para a tua mãe? Queres?

Inesperadamente, o sorriso rasgou-se e ouviu-se um determinado “Quero!”.

Vitória, vitória…  Eu fiquei a pensar duas coisas:

* Eu teria perdido eternidades a explicar-lhe para que servia desenhar e pintar. Para aprender coisas e fazer coisas…

* Poucas coisas são tão evidentes como esta: a vida chama-nos e agarra-nos quando é oferecida a alguém que amamos.

Catarina Almeida