Acolher na terra as surpresas do Céu

Acolher na terra as surpresas do Céu

Tinha vários temas na calha para escrever hoje; tinha até vários episódios dos petizes para comentar.
Quis, porém, o algoritmo que comanda a vida, vulgo a internet, que me cruzasse com o discurso do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira.

Fala-nos sobre as surpresas de Deus, sobre a surpresa que o nascimento de Jesus trouxe ao mundo. Fala-nos das surpresas que mudam a vida de forma inesperada e convida-nos a viver o Natal assim: “deixar-se abalar pela sua surpreendente novidade (…) Celebrar o Natal é acolher na terra as surpresas do Céu. O Natal deu início a uma nova época onde a vida não se programa, mas se doa”.

Acolher as surpresas do Céu, como Maria e José fizeram; essas surpresas mudaram-lhes as vidas, de forma exigente e, por vezes, incompreensível. As surpresas de Deus, o Natal de Jesus, acrescenta o Papa “não oferece o calor reconfortante da lareira, mas antes o arrepio divino que abala a história”.
É arrepio, é abalo, é inaudito, diz também o Papa. Que palavras ousadas para falar do Natal.
Só que o Natal é mesmo uma ousadia de Deus, que se faz pequeno e, ainda por cima, aceita correr o risco de os homens o acolherem. Pois bem diz o povo, que Natal é quando um homem quiser. É iniciativa de Deus, claro, mas de um Deus que quis “descer” para perto da minha fragilidade e veio pedir que o acolhesse; veio pedir que eu também quisesse.
Quando um homem quiser, quando eu quiser, quer dizer, sempre que eu quiser, sempre que eu confiar e Lhe disser que sim, como Maria disse; sempre que eu me levantar para realizar o que Deus quer, ainda que não faça parte dos meus planos, como fez São José.
Bom Natal a todos.

Catarina Almeida