All’s well that ends well

All’s well that ends well

Normalmente, as aulas a seguir aos últimos testes estão quase vazias. “Se já fiz o teste, para quê ir? Mas não com esta professora. Último dia de aulas, o teste já tinha sido feito, mas a sala estava cheia. Cheia de alunos que, mesmo sem o dizer ou sem o saber, queriam estar presentes, porque naquelas aulas aconteceu alguma coisa de diferente que não querem perder. “Gostava de ter esta professora a todas as cadeiras”, comentou uma rapariga comigo à saída da sala, com quem nunca tinha falado, apesar de estarmos juntas naquela turma.

Às vezes, a faculdade é uma correria. Andamos de sala em sala, cada um tem 5 turmas por semestre, o que parece um obstáculo à unidade.

Nesta última aula do semestre, a professora decidiu encomendar numa pastelaria um bolo de chocolate com uma frase de Shakespeare “All’s well that ends well”, porque foi à volta das suas obras que trabalhámos todo este tempo. Não é nada óbvio que uma professora queira fechar a cadeira, olhando para nós como pessoas, como, aliás, fez sempre. Comemos bolo, conversámos, estivemos juntos a fechar o semestre.

Nesse dia, vi com alguns amigos um filme[1] no qual dois inimigos ficam feridos e são salvos por um homem, que os acolhe em sua casa. Trata das suas feridas, mas também, como um pai que educa, não deixa de chamá-los à atenção quando se insultam um ao outro. Cada um queria matar o outro, assim que ficassem melhores, mas a autoridade firme e amiga daquele pai, com o seu olhar de esperança, foi mudando o coração daqueles inimigos.

Tanto a aula como este filme, me relembraram de que não há circunstância que impeça a unidade entre nós, se estivermos conscientes de uma Presença Viva que envolve tudo.

[1]Tangerines (2013)

Constança Duarte