O ardor que me leva até onde Ele está!

O ardor que me leva até onde Ele está!

Na homilia deste último Domingo, o Padre falava do dom que as crianças têm para se deixar maravilhar com o que para elas é novidade. Eu, que trabalho com alunos de idades entre os 3 e os 16 anos, estava deliciada a ouvi-lo, porque sou diariamente testemunha desse dom. Os mais pequeninos do Pré-escolar têm mesmo a capacidade de tornar novo o que, até para eles, já deixou de o ser!

À medida que crescemos, sem nos darmos conta, vamo-nos tornando mais herméticos, mais distraídos, mais cínicos, menos permeáveis ao espanto. As minhas visitas ao pré-escolar são, por isso (quando consigo despir a minha capa de gente crescida),  de um valor incalculável: os meus olhos, os meus ouvidos, o meu coração, ficam mais abertos aos sinais. Dura o que dura, mas enquanto dura é muito bom. Acontece-me qualquer coisa de bom. Desperto. E por isso vou lá muitas vezes, para voltar a despertar a cada dia. Ontem, cada vez que punha mais lenha na minha  lareira, lembrava-me disto.  Tem tudo a ver: a lareira, a lenha e a dinâmica do meu coração!

Os Reis Magos deviam ter este dom que as crianças têm… Há 2018 anos, muitos terão visto esta mesma estrela que os Reis Magos viram!

“…Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O…’’

… Podiam ter simplesmente olhado para a estrela, ter pensado “Mas que beleza!’’ e ter seguido com a vidinha deles. Mas não! Mais do que a ciência, foram corações a arder que os puseram a caminho!

O que é que os Reis Magos têm a ver com a minha vida, com o meu desejo, com o meu coração? Têm a ver com o meu desejo de reconhecer uma Presença que me faz arder o coração e me põe a caminho, sem perder a esperança.

Mas sobretudo, têm a ver com o desejo de manter vivo o ardor que me diz que Ele é, e que me leva onde Ele está!

Teresa Vaz Guedes