Sobre Nós

A Fundadora

Maria Ulrich: uma educadora em portugal no séc. xx

Maria Ulrich nasceu em Coimbra a 8 de Março de 1908, filha de Rui Enes Ulrich, já então professor catedrático na Universidade de Coimbra e de Genoveva Lima Mayer, a escritora Veva de Lima. De seu pai herdou a profunda rectidão de carácter, o sentido de rigor e a total fidelidade às suas convicções, de sua mãe o espírito de fantasia e de criatividade, o desprezo pela banalidade e pela mediocridade, o sentido de convívio e de festa.

Mediocridade para mim, foi sempre asfixiante e insuportável

Maria Ulrich faz os seus estudos em França e Inglaterra e aí passa quase metade da sua adolescência e juventude o que, conta ela em páginas soltas do seu diário, lhe deu um certo alargamento de concepções e perspectivas. De regresso a Portugal, já nos anos 30, faz amizades que vão durar toda a vida, dinamiza grupos e iniciativas com fortes interesses culturais, mas sente um vazio, o horror à "mediocridade que reina quando não se proporcionam motivações de grandeza onde, então, somos maiores que ninguém. Mediocridade para mim, foi sempre asfixiante e insuportável".

Sente que a vida de "menina da sociedade" a vai destruir e decide ir trabalhar para França, mas é então que conhece Júlia Guedes que a introduz na Acção Católica – J.I.C.F.. É o momento da total transformação. O encontro com Cristo vai proporcionar-lhe a unidade na personalidade, o sentido da vida, o espantoso dinamismo na acção.

Já na direcção da JICF - que não é uma ocupação transitória, é uma atitude de Vida - sente a necessidade urgente da formação de dirigentes responsáveis e, num curso de férias para militantes realizado no Colégio do Ramalhão, surge o Ramalhete: um pequeno grupo de raparigas do meio que então se denominava independente e que Maria Ulrich descreve como intrépidas e sonhadoras, para quem não havia obstáculos nas suas imensas ambições de transformação do mundo. «Ali habituei-me a conseguir coisas difíceis a transportar montanhas, porque a fé para isso não faltava».

É nessa perspectiva de transformação do mundo que Maria Ulrich participa em campanhas e inquéritos nacionais e chega à conclusão que, nos anos 50, o problema fulcral da sociedade portuguesa é a Educação.

Com este ímpeto lança-se na grande aventura da criação da Escola de Educadoras de Infância. Os meios são poucos, as dificuldades são muitas mas Maria Ulrich sabe exactamente o que quer e escreve «O mundo de hoje depende da juventude, nesta rapidíssima evolução que está sofrendo e de que ainda não nos demos conta entre nós ... Nesta evolução, o mundo depende dos novos. Os novos são o que foi a sua infância». No mês de Outubro de 1954, num pequeno andar da Rua João de Deus nasce a Escola de Educadoras de Infância.

A sua pedagogia é uma pedagogia de encontro, de conhecimento pessoal, de amizade na exigência e na superação das dificuldades. «A finalidade do educador deve ser saber levar o educando a saber escolher e conduzir-se por si próprio, na máxima realização da sua personalidade, na atitude vertical de ser responsável e livre“, é assim que Maria define o seu programa. «Para nós Escola é Vida, Vida esclarecida em todos os assuntos actuais, vida compartilhada, numa afectividade recta e equilibrada, vida activa na iniciativa pessoal e na responsabilidade».

Um bem para o Mundo

Como sequência natural da Escola e como seu complemento, no ano 1957-58, já na Rua das Trinas, nasce "O Nosso Jardim", onde as crianças, com as educadoras estagiárias e em íntima relação com as famílias, descobrem a alegria de crescer no espírito, no estilo e na pedagogia de Maria Ulrich.

Educar em qualquer idade é fazer crescer

O mundo e Portugal transformaram-se, as Ciências da Educação evoluíram e os desafios a quem se quer comprometer com a acção educativa são cada vez maiores. O Projecto da Maria, porém, mantém a mesma actualidade, a mesma urgência. «Educar em qualquer idade é fazer crescer». Assim, em 1986 decide criar, em estreita colaboração com o então Presidente da Câmara de Lisboa, Eng.º Nuno Abecassis, seu colega e amigo desde o tempo da Acção Católica, a Associação Casa Veva de Lima, a quem doou grande parte dos seus bens, em homenagem à sua mãe.

Surge então o seu último Projecto. Com a sua amiga Berta Peixoto lança as bases da Fundação Maria Ulrich, criada com o objectivo de desenvolver acções no âmbito da formação, da educação e cultura, numa perspectiva humanística e cristã. O sonho da Maria, como sempre, torna-se realidade. A Fundação Maria Ulrich torna-se o ponto de encontro de todos aqueles que desejam reunir-se em cursos, palestras, reuniões, para manterem vivo o espírito da fundadora.

Maria Ulrich morre em Lisboa a 25 de Novembro de 1988. No fim da corrida, encontra a meta, cujo segredo revelado por Santo Agostinho e que ela nos transmitiu «Criaste-nos para vós, ó Deus, e só em vós a nossa alma poderá encontrar a felicidade».