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É o meu pai!, por Catarina Almeida

– É o meu pai! É o meu pai!

Lá ao fundo, num barquinho, batido furiosamente contra as ondas, via-se o Gepeto a saltar. O Pinóquio, de pé, chamava e fazia muitos sinais com as mãos e com o lenço, abanando o boné que trazia na cabeça. Embora estivesse muito longe da praia, Gepeto reconheceu o filho e gritou em voz alta:

– Pinóquio! Meu querido filho! Que bela cara!

Quando o Pinóquio estava cheio de frio e de medo, a tentar voltar para casa do Pai, apareceu um Pombo que sabia o seu nome e o levou até à praia onde o Gepeto fora visto pela última vez.

Muito haveria a dizer sobre o mensageiro que leva o boneco às costas até ao seu pai, mas o reencontro entre o Gepeto e o Pinóquio é tão bonito que me vou focar na comovente descrição de um encontro que faz saltar o coração de alegria.

Do lado de cá, na praia, o filho deu um grito agudíssimo. É o meu pai. Depois, fazia muitos sinais com as mãos e mostrava a sua roupa, ou seja, o que lhe pertence: o lenço, o boné… Como quem diz, conheces este lenço, conheces este boné. Sou eu! 

O Gepeto, que tinha decidido ir procurar o filho no lado de lá do mar, entretanto tinha sido apanhado pelo mar bravo. O seu barquinho estava quase a afundar e ia já bem longe da praia. Ainda assim, nem as ondas furiosas, nem a distância, nada impede o Pai de reconhecer o seu filho! Que bela cara… 

Tão simples e tão decisivo. Este não será ainda o encontro final, mas reaviva no nosso coração o quanto desejamos ser vistos, reconhecidos e encontrados. E também nos recorda que nunca deixamos de procurar e ansiar pelos que amamos. Que somos feitos para sair de nós próprios e encontrar os outros.

Na verdade, como pais e filhos, ou deixamos que domine este desejo de procurar verdadeiramente o outro – com o seu boné e o seu lenço – ou tudo, mais cedo ou mais tarde, se tornará uma pretensão…

Catarina Almeida